Músico e educador lança livro e documentário, com direção de Cecília Amado,

que apresentam ao público o método que se baseia nas tradições orais de matriz africana

 

A partilha de uma larga experiência musical e pedagógica, com sabor autobiográficoas e obstinado compromisso com as tradições orais de matriz africana. Essa é a síntese de duas obras idealizadas pelo Maestro Letieres Leite: o livro Rumpilezzinho – Laboratório Musical de Jovens. Relatos de uma Experiência, que sistematiza a primeira experiência com o laboratório de ensino musical com jovens, e o documentário UPB – Tempestade Emocional,  um ensaio documental que traduz as reflexões para o audiovisual, contando com a assinatura de Cecília Amado na direção.  As duas obras refletem tanto processos criativos, como um instigante método de ensino de música, que bebe na riqueza da matriz africana e serão apresentadas ao público dentro da programação do Panorama Internacional Coisa de Cinema, no dia 13 de novembro, com o lançamento do livro às 19h, e às 21h, a exibição do documentário no  Espaço Itaú de Cinema – Glauber Rocha. A noite será encerrada com um concerto do Coletivo Rumpilezzinho, para sentir na prática as elaborações do maestro.

Ambas as obras apresentam para o público a intimidade e as ideias que fundamentam o Método UPB (Universo Percussivo Baiano), metodologia desenvolvida pelo Letieres Leite. Usando as próprias palavras do maestro, “UPB é um método que busca ensinar a música popular brasileira a partir da consciência de um conceito estrutural ligado às suas matrizes negras, obedecendo suas regras, métodos e conceitos seculares, em comum acordo com os conceitos de aprendizado musical desenvolvidos a partir da tradição de ensino musical europeia”. Tanto o documentário quanto livro foram construídos a partir de muita reflexão, diálogo e uma pesquisa que envolveu a Tenda dos Milagres Produções, de Cecília Amado, e o Instituto Rumpilezz.

Documentário – O documentário UPB - Tempestade Emocional revela o espaço criativo do maestro Letieres Leite e o diálogo com outros pesquisadores, historiadores e pensadores sobre a música e a arte afro-brasileira. A obra consiste num ensaio documental sobre a trajetória do maestro Letieres Leite, que ao identificar que todas as músicas populares das Américas partem das claves rítmicas de matriz africana, decidiu elevar o estudo desses ritmos ao patamar de respeito e notoriedade da música erudita.

Partindo da compreensão da música como um ponto crucial da epistemologia africana na diáspora, a pesquisa de Letieres Leite com o UPB aponta para outras estratégias de transmissão de conhecimento e percepção do mundo – a oralidade.  Assim, a direção conseguiu apresentar momentos de conversa sobre racismo institucional e suas expressões no campo da arte, quase sempre relegando a um lugar menor aos músicos que não sabem ler partitura ou que não criam dentro de uma tradição europeia. O documentário provoca pensar sobre música, cultura e história.

“Letieres Leite, para além da sua carreira como músico, maestro e arranjador, desempenha um papel muito importante como educador usando a música como um instrumento social, cultural e histórico. Quando ele abriu a  primeira turma da Rumpilezzinho, em 2014, eu o procurei e disse que queria acompanhar e filmar aquele processo, mais adiante foi Letieres e sua equipe quem me procurou, dessa vez pra fazer um documentário mais amplo, que jogasse luz também sobre o método UPB e algumas temáticas relacionadas, como o racismo no meio musical, a transmissão da cultura de matriz africana ou ainda sobre o ensino da música popular em escolas e universidades no Brasil, temas  que me parecem estar na raiz da metodologia e até mesmo da ideologia que Leite fundamentou no que chamou de Universo Percussivo Baiano” explica Cecília Amado, diretora do documentário. A obra faz um mergulho nesse universo formativo e de investigação artística. “E assim nasceu esse filme, que acompanhou desde as audições para a turma Beta da Rumpilezzinho até o show de encerramento, passando é claro pela Orkestra Rumpilezz e diversos parceiros de Letieres, músicos, professores, historiadores, que ajudam a levantar questões fundamentais para a música baiana, brasileira e, como ele mesmo diz, para as músicas populares das américas como um todo” acrescenta a cineasta.

A realização do documentário é da Tenda dos Milagres Filmes e Letieres Leite com patrocínio da VIVO, por meio do FAZCULTURA, da Secretaria da Cultura e Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia.

Livro – A experiência de quase mais de 30 anos de música e dedicação à posicionar como rico e complexo o sistema próprio de organização da cultura musical negra e suas descendências no Brasil traduzidas em 96 página, em tom de conversa com o Maestro Letieres Leite e suas reflexões ao lado dos colaboradores: a coordenadora de pesquisa e conteúdo do Instituto Rumpilezz, Fabiana Marques e o educador, historiador e músico Fabrício Mota, ambos editores de Rumpilezzinho – Laboratório Musical de Jovens.

A publicação cumpre um papel importante de reconhecer a percussão como uma protagonista da produção musical no estado e como um centro de produção cultural na diáspora. Nas páginas do livro, Letieres coloca a oralidade em diálogo horizontal com as interpretações da escrita musical, situando-as como diferentes tecnologias de suporte do saber/fazer música.

“Demorei um tempo para escrever esse livro, porque estava vivenciando essa pesquisa, maturando algumas ideias, pois se trata de uma atividade realizada em forma laboratorial, prática constante, sempre alterando fez com que demorasse um pouco para fazer na forma escrita. A ideia desse livro não é mais do que mostrar em forma de relato como surge a necessidade de se fazer uma matéria em que aborde o estudo de música brasileira a partir dos princípios das matrizes africanas” revela o maestro sobre processo de escrita do livro. Síntese da observação de um modo de pensar e fazer música, a obra fala para além da experiência de sala de aula. “Qual a dificuldade de se chegar nessa forma de ensino, de troca, que tenha suas bases na oralidade. São várias questões que vou enumerando no livro para que a gente tente achar uma forma da educação musical e da música popular baseada numa das premissas fundamentais que é a da consequência da diáspora nas nossas estruturas. Esse livro propõe uma conversa sobre os princípios de fundamentos que eu encontrei para estruturar essas noções. A escrita é relaxada, mas segue o rigor da pesquisa em torno do universo percussivo baiano” conclui o músico.

“Como numa roda de conversa e som, Letieres Leite convida-nos a entrar no poderoso universo das sonoridades percussivas, com especial atenção às formas de transmissão/aprendizado presente nas tradições orais de matriz africana e afro-brasileira” afirma Fabrício Mota, apresentando a obra.

Após onze anos de trajetória com a Orkestra Rumpilezz, seu projeto mais reconhecido e premiado, o livro chega para apresentar didaticamente a construção do seu método, inspirado no vasto universo rítmico da Bahia, e seus posicionamentos acerca do racismo encontrado na instituição musical brasileira. “Seu Método UPB –  tema central deste relato da primeira experiência do laboratório musical de jovens do projeto Rumpilezzinho, convida-nos a desbravar, didaticamente, fundamentos e metodologias próprias da cultura musical negra estruturantes da nossa música popular. E ao considerá-las, Letieres nos engaja a repensar nos engaja a repensar nossos modelos de educação musical no Brasil” complementa Fabiana Marques.

A publicação é uma realização do Instituto Rumpilezz, com patrocínio da Natura Musical, através do FAZCULTURA, da Secretaria da Cultura e Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia.

Serviço

Lançamento do livro: Rumpilezzinho – Laboratório Musical de Jovens

Dia 13 de novembro, das 19h às 21h

Local: Foyer do Espaço Itaú de Cinema - Glauber Rocha

Haverá distribuição gratuita de 200 exemplares, por ordem de chegada.

Exibição de Lançamento e conversa com os realizadores do Documentário UPB – Tempestade Emocional, seguido de Concerto do Coletivo Rumpilezzinho

Dia 13 de novembro, das 21h às 22h30 | lançamento do DOC

Local: Sala 1 do Espaço Itaú de Cinema - Glauber Rocha

A exibição será para convidados e o público que acompanha a Mostra Panorama Coisa de Cinema – por meio de aquisição de passaporte.

196 lugares

O público tem a opção de comprar ingressos avulsos ou o passaporte  (que dá direito a 10 ingressos). Os ingressos avulsos custam R$ 10,00 / R$ 5,00 (meia) e o passaporte custa R$ 40,00.